3º capítulo – A consagração da Lei da Guerra de Sunzi e Sunbin.

Sunwu, mais conhecido como Sunzi (ou Mestre Sun), é uma figura enigmática da história chinesa. Quase nada se sabe sobre sua figura: no entanto, sua obra eclipsou por completo quaisquer outros textos possivelmente anteriores a ele - e ainda, determinou as regras gerais do que seria o pensamento estratégico na China ao longo dos séculos posteriores.

É difícil para nós alcançar o sucesso que sua Lei da Guerra (Sunzi Bingfa) conseguiu não só na China, mas em todo o mundo. Basta dizer que seu livro é uma leitura praticamente obrigatória em todas as escolas de oficiais militares no mundo – e lembremos, ele foi escrito, no mínimo, no século 4 a.C. Como um texto sobre guerra tão antigo pode continuar sendo absolutamente atual? Para compreendermos um pouco mais sobre a história deste livro, precisamos mergulhar novamente no mundo obscuro da vida de Sunzi.

Os detalhes biográficos de Sunwu são ridículos, e não prestam a grandes esclarecimentos sobre sua vida ou origem. Como já vimos, quase todas as informações de que dispomos destes autores militares, de antes do século 2 a.C., provém dos Registros Históricos de Sima Qian – e neste caso, a biografia de Sunzi, presente em seu livro, nos informa quase nada.

O que Sima nos fala é que, numa data incerta, provavelmente lá pelo século 6 a.C. – novamente, o fatídico período de crise da China antiga – o sábio Sunwu apresentou-se na corte do rei Heliu, de Wu, oferecendo seu serviços. O rei, disposto a testar as capacidades de Sun, propôs-lhe um teste nada fácil: que ele preparasse suas concubinas nas artes militares, e as ensinasse a marchar. Sun não se fez de rogado: instruiu as belas damas, ensinou-lhes o que deveriam fazer e ordenou que marchassem. Obviamente, elas caíram na risada, e fizeram troça da cara de Sun. Inabalável, Sunwu mandou mais duas vezes que elas cumprissem a ordem, e quando constatou que elas não obedeceriam, mandou decapitar as líderes do pelotão. O rei Heliu ficou apavorado, e tentou interceder, mas foi em vão: Sunwu respondeu que “se ele realmente queria soldados determinados, suas ordens tinham que ser cumpridas até o fim”, e cortou-lhes as cabeças. Depois disso, ele mandou que elas marchassem novamente; e dessa vez, foi obedecido sem um pio, na mais completa perfeição.

Sun voltou-se para o rei e disse: “agora elas estão prontas para executar todas as ordens que o senhor determinar. Pode inspecioná-las a vontade”, ao que o rei respondeu: “não é necessário, o senhor está dispensado”. Mas Sunwu era uma daquelas pessoas tinhosas, e retorquiu gentilmente ao rei: “o senhor gosta de falar, mas não gosta de fazer”. Em qualquer outra parte do mundo, a cabeça de Sunwu seria separada do resto do corpo por esta insolência; mas na China daquele momento, de vez em quando grandes talentos eram reconhecidos, e Sunwu – agora chamado Mestre Sun, ou Sunzi, foi um deles.

Sima Qian cita ainda que ele defendeu Wu de outros estados e... pronto! Acabou-se a biografia de Sunzi! Desnecessário dizer que para os nossos padrões historiográficos atuais estas informações são mais do que insuficientes, mas lembremos: era o que Sima dispunha na época em que escreveu seu livro de história. Uma informação relevante é indicada nos Registros Históricos: Heliu afirma ter lido os 13 capítulos da obra de Sunzi, o que significa que, possivelmente, a obra foi composta num formato próximo ao que temos hoje em dia em mãos. Já se supôs que a obra original de Sunzi teria algo entre 50 ou 75 capítulos, mas estas informações são controversas e imprecisas. Na mesma tumba que se desenterrou o texto de Taigong e Sunbin, mais 5 capítulos de Sunzi foram achados, mas não podemos afirmar que eles não foram anexados ao original, depois, por um copista. Além disso, devemos ter em mente que o que consagrou sua obra foram, exatamente, os 13 capítulos básicos, extensamente comentados depois da época Han. Isso significa, portanto, que fosse qual fosse o formato original da obra, já no século 2 a.C. ela devia parecer bastante com a que temos hoje em mãos.

Contudo, isso não esclarece nada sobre a vida de Sunzi. Sabemos que sua obra era vastamente lida durante – e depois – do período dos Estados Combatentes, e mais nada. Nenhum autor que fosse seu contemporâneo cita-o. Nas Primaveras e Outonos ele está ausente: nas Crônicas dos Estados Combatentes também. Não é impossível, portanto, que Sunzi possa não ter existido.

No século 11 d.C., o historiador Yi Zhengzi tentou buscar maiores evidências sobre a vida de Sunzi, mas foi em vão. Yi chegou a afirmar a possibilidade dele nunca ter existido, no que foi secundado por outros autores. Até recentemente, contestou-se a existência de Sunzi como figura histórica.

Por outro lado, o fato de termos poucas informações sobre Sunzi não significa que ele foi simplesmente uma fantasia. Obviamente que a ausência de documentos dificulta nossa compreensão sobre a existência e as características deste personagem: no entanto, a herança histórica e intelectual da obra é inquestionável, e devemos nos ater a alguns detalhes importantes que permitem relativizar a postura da “inexistência” de Sunzi.

A primeira delas consiste na existência do clã Sun, que se tornou uma família especializada nas artes da guerra. Na mesma biografia de Sunzi, em que este quase não aparece, Sima Qian dedica algumas páginas a um descendente de Sunzi chamado Sunbin, que teria escrito, também, a sua Lei da Guerra de Sunbin, complementando o trabalho de seu nobre ancestral. Sunbin teria vivido entre os séculos 4 e 3 a.C., e ao contrário de Sunzi, ele foi notado por autores da mesma época. Mêncio, um seguidor da escola de Confúcio, reclamava de um tal “mestre Sun” que vinha ganhando atenção dos soberanos, e que nenhum deles queria mais ouvir do antigo caminho do estudo. Hanfeizi, um autor do século 3 a.C., escreveu pouco tempo depois de Mêncio que “todo mundo tem uma cópia de Sunzi ou Wuqi (Wuzi) [...] mas são poucos os que querem ir para a guerra”. Supõe-se, ainda, que Sunbin possa ter complementado seus estudos com um mestre caminhante chamado Gueiguzi, ou Mestre do Vale Fantasma, que teria sido um lendário eremita especialista em estratégia, e cujos pensamentos surgiriam num texto apócrifo do século 4 d.C..

A questão é que Sunbin corroborava a idéia de que Sunzi era uma mistificação; seu texto também estava perdido, ou nunca havia existido, e isso levava a crer que o clã Sun seria uma o fantasia histórica, até que a fabulosa descoberta de seu texto, em 1972, mudou inteiramente este panorama.

Em primeiro lugar, a biografia de Sunbin – presente em seu próprio livro – era idêntica a do Registros Históricos, o que nos leva a crer que Sima Qian havia consultado esta fonte para compor seu livro. Além disso, o formato do livro de Sunbin – uma vasta análise de casos de guerra – complementava naturalmente os estudos de Sunzi. Por fim, a própria existência de seus textos mostrava que, embora ele não fosse tão lido quanto o Sunzi original, era possível que ambos tivessem existido, embora se soubesse pouco a respeito deles como autores e personagens.

Isso não significa que algumas contradições presentes em ambas as obras devam ser ignoradas; Sunzi, por exemplo, é um livro associado ao século 6 a.C., mas que cita, diversas vezes, a besta – uma arma que só aparece no século 4 a.C. Além disso, abundam referências no texto que nos levam a associá-lo com as escolas legista, daoísta e confucionista. Aparentemente, pois, se Sunzi e Sunbin existiram, seus períodos de vida foram muito próximos, e provavelmente ocorreram em torno do século 4 a.C., tendo em vista as possíveis interpolações que podemos fazer entre os textos destes autores e de seus contemporâneos.

Resta ainda a possibilidade de Sunzi e Sunbin serem pseudônimos para estrategistas dispostos a permanecerem ocultos, e cujo interesse de transmitir sua experiência em combate era mais importante do que a fama propriamente dita. Isso faz algum sentido para a época, tendo em vista que figuras públicas e de sucesso eram visadas; por outro lado, tais escritos eram um meio de autopromoção pessoal entre os reinos, o que destruiria esta hipótese. Se a vida de Sunzi é misteriosa, a de Sunbin não parece tanto assim.

Sunbin teria nascido no reino de Wei – que como vimos, tornara-se uma das potências dominantes no tempo dos Estados Combatentes. Ele estudou as artes militares (e podemos supor, o livro de Sunzi, de Taigong e de Sima Fa), mas tinha como rival um tal Pang Chuan, que vendo nele um concorrente imbatível, tratou de armar-lhe uma intriga. Sunbin foi condenado por um crime qualquer que não cometeu, teve as pernas decepadas, na altura do joelho, e seu rosto marcado a ferro. Era uma humilhação total para alguém de uma família ilustre como os Sun, mas Sunbin não arrefeceu seu ânimo e continuou seus estudos de estratégia. Tempos depois, um embaixador de Qi visitou o reino de Wei, e Sunbin contatou-o secretamente, oferecendo seus préstimos. Tian Chi, um alto oficial de Qi, logo reconheceu suas habilidades e o tornou seu principal general. Em alguns anos, Qi conseguiu virar a supremacia de Wei, e em uma série de batalhas, Sunbin foi vencendo consecutivamente as tropas de Wei, até que finalmente as derrotou por completo e deu cabo de seu rival, Pang Chuan, numa emboscada célebre.

Conta sua biografia que Sunbin mandou colar um bilhete, numa árvore, em que havia escrito “aqui Pang Chuan morreu”, e mandou esconder milhares de arqueiros nas redondezas. Suas ordens eram de que eles atirassem quando se acendesse uma tocha. Se for verdade o episódio, Pang Chuan vinha vindo com suas tropas, durante a noite, quando foi avisado do estranho bilhete; foi até a árvore em que ele estava pendurado e quando acendeu uma tocha para ler o que estava escrito...

A consagração da obra A Lei da Guerra de Sunzi e Sunbin

Todavia, a par dos detalhes biográficos destes mestres da estratégia, precisamos entender os motivos que levaram suas obras – principalmente a de Sunzi – a se tornarem clássicos do pensamento militar, de modo a ultrapassarem as barreiras do tempo. Se Taigong e Sima Jiang existiram ou não, tal como Sunzi, isso se torna absolutamente irrelevante diante do sucesso total e absoluto da obra de Sunzi. O que Sunzi propôs, portanto, que modificou tão radicalmente o panorama da estratégia chinesa, a ponto de dar origem a uma escola e fazer sua obra sobreviver durante séculos?

O primeiro ponto a ser destacado é a clareza e o poder de síntese de seu texto. Sunzi escreve conselhos militares raciocinados, experimentados, que vão direto ao assunto e não dão margem a floreios. O problema de muitas traduções ocidentais feitas sobre o original de Sunzi é que o transformam quase num romance, com uma linguagem empolada e uma terminologia complexa. Nada está mais distante do texto simples, fluído e direto do mestre Sun. A Lei da Guerra é um texto direto, conciso e feito para ser decorado. A própria palavra Fa (Lei, método) pressupõe isso, e muito se perde quando as traduções ocidentais a transformam em “Arte da Guerra”. É bonito, mas não é preciso. O texto de Sunzi é imperativo, franco, e chega a ser assustador em sua astúcia.

No entanto, somente os ingênuos se apavoram com o “maquiavelismo” de Sunzi: os expedientes que o autor sugere para serem empregados na guerra podem ser terríveis, mas o fim último delas é a menor destruição possível. Esta talvez seja a pedra de toque de Sunzi.

Sunzi propõe princípios básicos que norteiam sua obra, que poderíamos resumir da seguinte maneira:

1) Não se deve entrar numa guerra sem ter certeza de ganhá-la, a não ser que ela seja defensiva.

2) Guerras devem ser resolvidas no menor tempo possível, e com o mínimo de perdas de ambos os lados.

3) Guerras são eventos terríveis, e por isso não devem acontecer; se acontecerem, deve-se estar disposto a levá-las até o fim, por todos os meios, de modo a alcançar a vitória.

Sunzi assumia algo parecido com o que Confúcio, Mozi e mesmo os caminhantes já afirmavam: nenhuma guerra é boa. Mas uma vez começada, erros como a famosa trapalhada do Duque de Song não podiam, de maneira alguma, se repetir. Por esta razão que, já no seu primeiro capítulo, Sunzi dizia que a guerra era “um assunto vital para o Estado, questão de vida e de morte, de sucesso e ruína”.

No entanto, a Lei da Guerra tem uma vantagem fundamental sobre os escritos de seus concorrentes intelectuais: ela não se propõe, em nenhum momento, a ser um Dao (um caminho) completo de governo, nem sugere fórmulas sociais. Sunzi oferece meios de ganhar uma guerra e assumir o poder. Depois disso, é com o governante o que ele vai fazer com o que conquistou. Sunzi estava longe de ser um chato que ficava pregando fórmulas moralistas, ou mesmo um desses acadêmicos herméticos e profundos cujas fórmulas complexas são incompreensíveis. Se Sunzi realmente existiu, deveria ser do tipo de pensador que respondia com um bocejo a questões profundas sobre “a vida e a morte”, sobre dilemas sociais ou sobre a “natureza do ser”. Seus objetivos eram bem claros: se havia um problema ou conflito, ele deveria ser resolvido. Como resolvê-los, este era o objetivo do seu tratado. Sunzi talvez representasse mesmo, e de certa forma, o ideal confucionista de um verdadeiro cavalheiro: “lento ao falar, mas pronto a agir”.

Por estas razões, um leitor desavisado poderia supor que o livro de Sunzi seria um resumo expandido das obras de Taigong ou do Sima Fa, mas este seria um erro terrível. A questão é que onde estes autores queriam legislar sobre a vida humana, Sunzi não estava nem aí. Sunzi havia percebido algo fundamental: os governantes escolhiam o modo como administrariam seus reinos, e isso poderia levar – ou não – ao conflito. Se não existisse guerra, tanto melhor – o próprio Sunzi dizia que a melhor guerra é a que não acontece. Contudo, se ela passa a existir, são os generais capacitados que devem cuidar do assunto, e não os amadores.

É por isso que Sunzi chega a propor, mesmo, que em algumas ocasiões um verdadeiro e fiel general deve ignorar certas ordens, se elas lhe parecem idiotices de um soberano inexperiente. Nada pior do que os brilhantes conselhos de gente que tem muito a dizer, sobre aquilo de que nada entende.

Enxuto, este texto de apenas 13 capítulos foi intensamente lido e comentado, transformando-se na grande referência em estratégia para os chineses. Sunzi fez mais: ele lançou a interpretação dos conceitos fundamentais da estratégia (Mou) para as obras seguintes.

O primeiro deles, talvez, seja a própria idéia de Dao – caminho, ou método – conceito presente em todas as escolas de pensamento da época. Para Sunzi, qualquer um dos caminhos das outras escolas é bom, contanto que seja empregado por um governante consciente e capaz. Nas mãos de um incompetente, qualquer governo, e qualquer método, por melhor que seja, vai dar com os burros n’água. Neste ponto, Sunzi é um oficial absolutamente fiel e leal ao seu governante: seu método consiste em explorar, analisar e resolver as crises de imediato, em tempo de guerra: do contrário, em tempos de paz, há espaço bastante, e suficiente, para que as discussões acerca da realidade social sejam feitas. Um bom general não deve, e nem se mete, nestas coisas de política: exceto em casos de perigo para a nação, ele não intervém nas discussões da corte. Somente os legistas conceberam um governo militarizado, em que a ocupação dos exércitos e da guerra constituía uma forma de desviar as tensões sociais, e o resultado é conhecido: se eles conseguiram reunificar a China sobre a égide dos Qin, no século 3 a.C., por outro lado esta dinastia durou muito pouco tempo, por conta dos excessos totalitários que ela exerceu. Sunzi sabia que um Estado não pode, e nem deve, ficar muito tempo mobilizado para a guerra. Esta é uma das razões pela qual Sunzi abominava, inclusive, situações de cerco: atacar uma cidade é um processo longo, desgastante, custoso e geralmente pouco interessante. Uma guerra deveria ser vencida por manobras inteligentes e rápidas, que tornam a vitória fulminante um fator de autoconfiança íntima, e que dão credibilidade ao governo que a venceu.

Outro conceito importante é o de Shi, propensão, ou a tendência de como algo vai se desenrolar de acordo com as forças envolvidas. Sunzi defendia que uma observação panorâmica e completa da situação mostrava a probabilidade dos desfechos, de acordo com as forças envolvidas. Somente alguém muito tolo faria apostas numa guerra sem conhecer as forças ou a situação dos agentes envolvidos. Por estas razão é que governantes imbecis investem em situações de risco, sem imaginar seus desfechos. Depois de criados os problemas, eles pedem a seus assessores que encontrem soluções. Nesta hora, Sunzi defendia que o controle total das forças deveria ser dado ao bom general, para que ele resolvesse de modo mais adequado o conflito existente. Do contrário, tentar solucionar um problema de acordo com a vontade de um governante inapto seria pura perda de tempo. Foi o que Sunzi disse ao rei Heliu, categoricamente.

Por fim, para se compreender a propensão das coisas, deve se conhecer o conjunto das coisas que criam todo o contexto (Zhi). Na doutrina confucionista, zhi representava o conhecimento adquirido pela experiência de vida, e o próprio ideograma representa o exercício da arqueria – ou seja, é treinando que se acerta o alvo. Sunzi nos indica que este conhecimento consistiria em dominar o terreno e a geografia, ter controle sobre as tropas, saber quem são os comandantes das forças, suas capacidades e defeitos, e o verdadeiro potencial de um exército. Sem saber estas coisas, as chances de um líder militar são escassas, e qualquer promessa de vitória em combate será uma mera aventura cheia de riscos e possibilidades de fracasso. Neste quesito Sunzi inovou, propondo o uso de espiões para executar as tarefas de reconhecimento – algo escandaloso para os guerreiros cavalheiros, mas indispensavelmente eficaz numa guerra para valer.

O que Sunbin fez foi complementar esta análise profunda com uma série de ilustrações. Seu trabalho é uma relação de casos e comentários sobre questões relativas à guerra que se proporiam, a princípio, complementar a obra de Sunzi – mesmo que isso não esteja claramente afirmado. A leitura de Sunbin é relevante na medida em que ela mostra, com propriedade, as aplicações do raciocínio estratégico de Sunzi. Por outro lado, a extrema simplicidade e acessibilidade do texto de Sunzi é que lhe granjearam esta fama indefectível, ao contrário de Sunbin, que acabou sumindo durante um bom tempo. O livro de Sunbin não é de modo algum ruim, mas não poderia existir sem o trabalho brilhante e consistente de seu antecessor.

A obra de Sunzi recebeu inúmeros adendos, e a versão de que dispomos – até que o exemplar Han foi descoberto – datava do século 18, quando inúmeros comentários já haviam sido somados a obra. Hoje, quando lemos uma versão completa de Sunzi, quase dois terços dela não se constituem nos 13 capítulos originais, mas nos opiniões de autores diversos, principalmente do período pós-Han, e de comentários dos comentários... Uma leitura altamente instrutiva, mas que perde de foco a simplicidade que consagrou a obra de Sunzi como um clássico da estratégia, e o fundador de uma linhagem milenar de pensadores militares na China.

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