Fragmentos do Livro das Três estratégias do Duque amarelo

As Três estratégias

Os sábios veneram o céu, o sensato venera a terra, o instruído venera os anciãos. Logo, três níveis de estratégia são arquitetados para sociedades em declínio.

A estratégia superior institui honras e recompensas, distin­gue farsantes de destemidos, esclarece as causas de vitória e der­rota, sucesso e fracasso.

A estratégia intermediária diferencia qualidades e comporta­mentos e analisa adaptações de estratégia.

A estratégia inferior desenvolve qualidades nominativas, exa­mina segurança e perigo e esclarece o erro de frustrar o sábio.

Desse modo, se os líderes têm um conhecimento profundo da estratégia superior, eles são capazes de nomear o sábio e capturar inimigos.

Se eles têm um conhecimento profundo da estratégia mediana, podem comandar generais e administrar tropas.

Se eles têm um conhecimento profundo da estratégia in­ferior, conseguem entender as fontes da prosperidade e da de­cadência e entender os princípios necessários para governar uma nação.

Como governar

Os Três Sublimes[1] não faziam discursos, mas a sua influência cir­culava por toda parte, e, portanto, o mundo não tinha a quem atribuir o mérito.

Quanto aos imperadores, eles seguiam o céu e seguiam as leis da terra; faziam discursos e davam ordens, e, assim, o mundo se tornou bastante pacífico. Os líderes e administradores distribuíam o mérito uns aos outros, e, assim, enquanto a sua influência prevalecia por toda parte, as pessoas comuns não sabiam por que era assim. Por esse motivo, eles empregavam administradores com eficiência, sem a necessida­de de cerimônias ou recompensas, seguindo adiante sem impe­dimentos.

Quanto aos reis, eles governavam as pessoas por intermédio do Caminho, conquistando os seus corações e vencendo as suas mentes, instituindo regras para se proteger contra a corrupção. De todos os cantos, acorriam líderes locais, e eram pagos tributos aos reis. Embora fizessem preparativos militares, eles não tinham guerras. Os governantes não desconfiavam dos administradores. O país era estável, o governante seguro, e os administradores se aposentavam quando apropriado. Eles também conseguiam ter bom êxito, sem obstrução.

Quanto aos hegemons[2], eles governam por meio da estratégia, convocam homens de por meio da confiança e os utilizam por meio de recompensas. Quando a confiança acaba, os homens pedem o rumo; quando não há recompensas, eles não obedecem às ordens.

Conhecendo as pessoas

Essencial para governos civis e militares é observar as mentes das pessoas, para distribuir os empregos.

Aos que correm perigo deve ser dada segurança, os temerosos devem ser distraídos. Desertores devem ser conquistados de volta, os falsamente acusados devem ser absolvidos, àqueles que têm queixas deve ser dada audiência. Os humildes devem ser enobrecidos, os poderosos devem ser contidos, os hostis devem ser eliminados. Os gananciosos são enriquecidos, os ambiciosos são empregados. Os medrosos são abrigados, os competentes são amparados. Os difamadores são silenciados, os críticos são testados. Rebeldes são sujeitados, os violentos são dominados. Os convencidos são criticados, os submissos são acolhidos. Os conquistados são assentados, aqueles que se rendem são libertados. Fortalezas tomadas são mantidas, desfiladeiros tomados são bloqueados, lugares inacessíveis tomados são guarnecidos, cidades tomadas são repartidas, terras são divididas, mercadorias devem ser distribuídas.



[1] Provável referência aos fundadores míticos da civilização chinesa, Foxi, Nugua e Huangdi.

[2] Os soberanos que disputavam o poder durante o período dos Estados Combatentes.

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